Nestes tempos em que o alegado radicalismo não só chegou à Assembleia da República como parece estar a instalar-se nas suas cadeiras fundas, o Blasfémias recorda-nos que a portuguesidade sempre soube ser radical de forma bem mais autêntica: José Manuel Coelho nunca ficou a dever a ninguém a fatura de passar a sua mensagem. Ele é o verdadeiro mártir - as facadinhas na lei que foi dando em prol daquilo a que tantos outros fariam questão de catalogar preventivamente como "uso de liberdade de expressão" saíram-lhe sempre do bucho. E dificilmente poderá alguém dizer que ficou a dever favores a alguém.
A rebeldia dos pobres
A propósito de Luís Osório, há que lhe reconhecer o mérito de construções tão interessantes como a de Portugalmente - que belo lied sobre um país que afinal parece nunca realmente ter existido. Uma obra-prima, especialmente pelo tom refrescante com que tritura tudo o que antes havia surgido. Lembro-me de olhar siderado para a televisão quando este programa passava, vilmente golpeado pelo tom atrozmente pouco PG-13 com que era filmado.
Contudo, fica apenas registo de mais um treinador de bancada. Daqueles que se sentam onde é confortável - no consenso, longe das balas que caem em cima de quem ousa gingar fora da norma. Ah, perdão: com aquele travozinho a rebeldia - é frequentador do Black Tie.
