Uber parvoíce

. quarta-feira, setembro 26, 2018

Depois de acessos de raiva (um pouco por todo o mundo), os taxistas vêm, agora, encontrar formas de protesto mais alinhadas com os princípios da ordem pública e da legalidade. Protesto, de resto, justíssimo.

Só que dando outro incrível tiro no pé: e não é que desta vez decidiram imobilizar integralmente as suas operações em Lisboa, Porto e Algarve?

Será que sou eu o único que vê nisto uma forma ainda mais acentuada de perder a confiança dos consumidores - de quem, de resto, dependem fundamentalmente? E de os serviços seus concorrentes terem uma oportunidade de ouro para ganharem mais clientes - até aqueles que nunca imaginariam recorrer aos seus serviços?

A duplicidade da questão

. segunda-feira, setembro 10, 2018

Suécia e Finlândia vieram fazer ultimato ao governo português para que acabe com regime de exceção para pensionistas estrangeiros que decidam mudar-se para Portugal.

Em boa verdade, não se pode dizer que "o Estado perdeu 350 milhões de euros com esta medida", porque também não teria esses 350 milhões de euros caso os estrangeiros em causa não tivessem decidido vir viver para Portugal. Por essa razão, devemos colocar-nos a questão óbvia: ganhámos alguma coisa, todos nós, com esta medida?

A resposta não é óbvia. Em parte porque o argumento clássico de que estes estrangeiros "vieram gastar dinheiro para Portugal" não é assim tão líquido - podem ter vindo, de facto; mas e o restante impacto sistémico que tiveram na sociedade, não terá, igualmente, de ser aferido? Nem todo terá absolutamente positivo, com certeza. Particularmente no imobiliário, poderemos afirmar, sem grande margem para dúvidas, que este afluxo de pessoas com condições socioeconómicas globalmente mais avantajadas do que a do português médio veio contribuir para que se viva a pressão que atualmente se verifica neste setor. Mas também será legítimo defender que este é um problema de regulação, e não do regime de incentivo fiscal per si.

Então, a dúvida mantém-se: será esta medida defensável? Talvez seja justificável rever, pelo menos, a duração sobre a qual vigora este regime de benefício. Tendo em conta que estamos a falar de pensionistas, não deixa de ser plausível argumentar que, sendo que a duração do incentivo é de 10 anos, o estado português está tentar convencer os estrangeiros de que poderão viver o resto das suas vidas sem fazer qualquer contributo fiscal (poderá, até, afirmar-se que o presente regime "castiga" os estrangeiros que vivam mais de 10 anos depois de se reformarem). Ora, neste caso poderá igualmente argumentar-se que tal medida está fundada em razões de mau íntimo - ou seja, a de procurar atrair estrangeiros que não pretendem, efetivamente, fazer mais qualquer contributo para o estado e a sociedade em que estão inseridos. Tal diverge significativamente de uma medida cujo intuito fosse promover a que os estrangeiros "experimentassem" Portugal, para que, eventualmente, depois se decidissem por ficar - nessas condições, parece-me que tal medida se justificaria por um período, no máximo, de 2 anos.

O delírio

. domingo, abril 15, 2018

Disputaram-se hoje as eleições para a liderança da JSD. A recém-eleita presidente foi-o sob o mote "Reconquistar Portugal". Nada mais há a dizer.


A escalada

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Grande Evgueni Mouravitch, como sempre a fazer uma cobertura impecável.

Pressão na moeda

. quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Alguns proféticos da desgraça já vêem o Apocalipse na linha do horizonte. Mas resta saber: será que o festival da especulação vai mesmo finalmente deixar cair a cortina?

Creio que não. Depois de uma ascensão insã, a moeda virtual mais popular da atualidade viu-se a braços com uma torrente de má publicidade: nas palavras rigorosas deste artigo, "todo o mundo cripto tem sido penalizado por avisos de economistas, traders, analistas e instituições, incluindo governos e bancos centrais". E com alguma razão: as flutuações verificadas no mercado - e acima de tudo os rombos que já se observaram - levantam sérias dúvidas sobre quem controla, de facto, a dinâmica de mercado deste "bem".

Mas verdade seja dita: há-de fazer comichão a muita gente que tanto capital esteja a ser canalizado para esta via - que não alimenta o mercado financeiro tradicional, habituado às suas comissões chorudas. E certamente faz muita comichão haver new kids on the block, a embolsar os milhões fruto das milhentas transferências que se fazem nas praças de criptomoedas.

Mas a verdade é só uma: tal como noutros momentos da história recente da economia mundial, a loucura não irá cessar: findo o pânico, a bolha irá provavelmente restaurar-se.