. domingo, dezembro 29, 2013

Alguns de nós encerram em si aquele impulso para fazer, fazer; outros para dormir, dormir. Não há entre eles uma diferença de tom que seja, em si, fraturante. Parece-me, até, que podemos dizer que se trata de várias tonalidades representando diferentes zonas de um espectro, sem que isso represente necessariamente um distanciamento qualitativo entre elas.

More to come.

A indecência do apatriotismo

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Recordo com um esgar de carinho as apreciações laterais sobre a "recusa patriótica" do Professor Duarte Gomes em falar espanhol nas reuniões de coordenação do WOP-P. É este o dom dos verdadeiros mestres; o de apenas os conseguimos absorver devagarinho, devagarinho. E de, de tempos a tempos, nos darmos conta de como se formou um novo substrato com a velha matéria-prima, prontinho para digerir de tão ricas proteínas que trás -- devagarinho.

De facto, a verdade é que não nos custava nada a nós, portugueses, colocar em prática o nosso pródigo dom para o engajamento da linguística estrangeira, bem como a nossa eterna disponibilidade para facilitar a vida aos bem-aventurados estrangeiros espanhóis, de forma mais frequente. Só que também não somos burros: sabemos que no passado essa facilitação significou o seu aproveitamento no sentido da assimilação. O velho sonho da constituição da Iberia continua vivo e verdejante nalguns círculos do mundo que é para lá da arraia, e não é porque a coroa vizinha enfrenta os desafios constantes daqueles que já não sentem a pertinência de ser Espanha que o ímpeto anexista desvanece. A cada nova vaga de arrivistas que tomam de assalto as hierarquias burocráticas do estado, há o ressuscitar de um tal desejo submerso, implícito, tabú.

Preocupa-me -- ao mesmo tempo que me vejo a mim próprio tendente a exercitar a nova língua semi-estrangeira/semi-oficial -- que porventura nos tenhamos esquecido da utilidade -- e necessidade -- de ter reservas quanto à assimilação de determinado conhecimento. Nem todo ele é para servir os nossos interesses; e algum é mesmo inteligente saber descartar.

You're a Wanker

. sábado, setembro 14, 2013

Parece que a revolução industrial insiste em não ser para todos. Mesmo aqueles para quem já foi. Isto, a ser verdade o que o Sr. Raúl deliberou que chegava de "tratores, temos bois". Não deixa de ser engraçado que o mesmo sistema político que se propõe a aliviar a escravatura do proletariado -- objectivo que audaciosamente afirma ter alcançado -- venha agora renegar tão amnesicamente a esses mesmos príncipios; um exemplo de que a ocasião faz o ladrão. Isto das ditaduras acaba por ser uma coisa que será de toda a importância preservar: vai ser sempre preciso haver exemplos no mundo de perseverança já mister Che havia dito

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Hoje na minha página de entrada do YT, encontro como sugestão de visualização a seguinte pérola:


No meio disto tudo, não consegui deixar de recordar uma entrevista que Miguel Esteves Cardoso deu a Fátima Campos Ferreira há uns tempos para a RTP1. Nota-se um MEC com os mesmos tiques dos tempos da clássica 'Noite da Má Língua', mas contudo muito mais tranquilo e capaz de aceitar. Fenomenal.
De qualquer das formas a recordação (e isso é que interessa porventura reter para o caso) surgiu a propósito de uma passagem em que MEC fala do que é ser político.


http://www.rtp.pt/play/p1220/e116638/fatima-campos-ferreira-entrevista-miguel-esteves

Olhando para os breves instantes em que Relvas aparece no 1.º vídeo, não fica difícil -- caso estejamos nessa disponibilidade --  de imaginar em que medida as duas manifestações se intersectam. É claro que o discurso pode tomar vários caminhos: podemos sempre berrar-lhe 'ladrão' e decretarmo-nos heróis nacionais. Mas a verdade é que a verdade nem sempre existe; ou se existe, anda muitas vezes bem entrosada e potencialmente escondida. Enquanto duvidamos das credenciais -- e acima de tudo da credibilidade -- de Miguel Relvas esquecemo-nos afinal de como lidamos mal quando se colocam em questão as nossas próprias insígnias. Certa vez, a propósito deste assunto, ouvi alguém referir algo do género "alguém assim não pode governar". Mas a verdade é que pode; e se é um facto que ninguém ousa bradar que só os doutores podem ser ministros, quase ninguém parece reconhecer que entre uma coisa e outra quase não há diferença. É certo que o que estará a montante desta questão será o próprio cerne da idoneidade do ser humano em causa, mas em última análise chegamos sempre àquela parte em que fica evidente que a verdadeira querela é se os meios justificam os fins. E aqui, simplesmente teremos de ser justos com o non-Dr. Relvas e julgar com olhos de ver o que ele fez como ministro, mais do que olhar para o que ele é para ser ministro.

Não que nada disto interesse muito; tudo isto é já há muito tempo passadologia.

Bora ao Rio?