Não deixa de ser interessante a roda viva a que o comentário político nacional se vota na procura de nutrir a atualidade política de um substrato de interesse. E ainda mais interessante é ver um jornal de direita - embora não conservadora - a tentar criar contraditório e ilusão de pluralismo por entre as suas fileiras de comentadores.
Escusado será dizer que o Observador é, em tudo o que das suas produções atona, a essência de uma manifestação empreendedora: é sobejamente conhecido o cheiro fétido das públicações mais à direita do Diário de Notícias (a começar no Correio da Manhã e a acabar n'O Diabo), e não era por demais difícil verificar que a informação orientada para um eixo conservador (semi-)culto era, afinal de contas, um nincho ainda por explorar. Resta-nos adivinhar: não fosse João Miguel Tavares o wannabe que se deixa levar pelo brilho das luzes - que é como quem diz: ceder à tentação de publicar num jornal como o Público - , talvez até cumprisse a justiça de se juntar à plateia quasi-pretensiosa de colunistas do Observador.
Crise de identidade
Surto de reação
É incrível o ridículo a que as camadas mais avant garde do setor conservador da nossa sociedade se expõem. Sofia Vala Rocha, senhora bem posta que faz por aportar em si toda a honra e esplendor do bom-senso de outros tempos, manifestou num artigo do semanário Sol por que é que frequentar repartições públicas não é para ela. Particularmente se for em dia de greve, porque ainda mais será forçada a tolerar a presença da plebe. Coitadinha: não aguenta um bom relato escatológico.
Talvez devagarinho, possas voltar a aprender
Amanhã, a vida continua. Mas hoje, podemos fechar os olhos.
A eleição moral
É particularmente refrescante verificar que há países na Europa em que os jornais ainda têm coragem de, abertamente, cumprir uma função pedagógica para com os seus leitores. Em Portugal, há muito que se perdeu esse condão, em virtude do ganhar terreno de uma certa - e pretensa - vaga de isenção jornalística. Certo que há toda uma corrente de opinião que se degladia no espaço online pela tentativa de captar o máximo de ódio possível emanante do vox populi, mas esse segmento mais não é do que a manifestação de um capricho de uma certa franja da sociedade que gosta de alimentar a sua ilusão de influência. Há que saber reduzir-mo-nos à nossa insignificância.
Regressando às eleições em França, não deixa de ser um pouco dececionante verificar que a tónica da discussão política em França ainda é tão pouco cosmopolita. Vemos apenas exemplos de discussão política clássica, com os mesmos chavões e truques de ilusionismo de sempre. Não vemos nenhum político sério a deixar escapar um "fixe", como já se fez em Portugal. Não há imagem mais gasta do que a de um político a olhar a câmara olhos-nos-olhos.
PS: Até me arrepio todo a pensar no que deve doer levar com o cacetete numa zona daquelas.
