O caso José Sócrates, é, no fundo, não mais do que um jogo de perceções. No espaço público, fazem-se o tipo de leituras que se fazem sempre que se fala de pessoas com um caráter público. No fundo, aquilo que fica invariavelmente evidente é que ninguém vai muito além da opinião que construiu desde sempre sobre determinada pessoa. Veja-se o caso de Marcelo Rebelo de Sousa. Personalidade com uma ampla formação em direito, Marcelo é professor na FDUL, e logo fluente no jogo de significações e ambiguidades implicados nos processos judiciais. Mesmo assim, na hora da verdade julgou Marcelo o caso ser todo à volta daquilo que José Sócrates "é".
Toda a gente está concentradíssima em tentar saber se Sócrates é culpado ou não. No fundo, o que querem é saber, com a margem de certeza que a adjudicação formal da justiça permite, se a ideia que fazem dele encontra razões para ser defensável ou não.
Quem viu e quem vê Judite de Sousa... Vai uma pessoa lembrar-se do jornalismo que fazia na RTP1, e compará-lo com o que faz agora. De facto, torna-se inegável admitir que em muitos sentidos o dinheiro força realmente a mão das pessoas. Ou não.
Sócrates, o culpado
Mais um episódio de degradação mental de um líder sindical português. Segundo Jorge Figueiredo da Comissão de Trabalhadores da TAP, as recentes notícias a propósito da TAP são uma manobra do governo para desvalorizar a companhia e a vender aos amigos. Sim, porque o problema serão sempre esses reacionários que estão bem entranhadinhos em todos os pontos-chave do país, e que hão-de conspirar para sempre contra os direitos dos trabalhadores. Cada vez fica mais evidente que há pessoas que para quem será sempre difícil dar sentido à vida depois do PREC. Face a esta ligeira manifestação de demência assente no clássico carreirismo ideológico-partidário típico da esquerda acéfala, parece que esquecemos o óbvio: o governo está interessado é em valorizar a empresa para a vender pelo máximo que a conseguir especular, para depois ter todos os balões de oxigénio necessários ao clientelismo da atribuição de contratos milionários às boas gentes do seu partido, e para salvar a banca fagocitária de morrer asfixiada no seu próprio vómito, depois de anos a servir com toda a boa-vontade uma nova camada de enriquecimento a uma fornada de políticos-fantoche que se quer poderosa -- e que, para felicidade dos do costume (os que realmente controlam esta merda toda), se construiu a essa imagem, com todos os cordelinhos que se lhe querem presos, prontos a ser puxados a qualquer momento, assim que a necessidade o dite. É claro que é assim que "isto vai, meus amigos, isto vai".
Não pude deixar de me emocionar com esta história. Afinal, parece que somos um país civilizado.
Crimeia, ou a parábola em que quem grita mais alto dita o que é a razão.
From Russia With Love
Enquanto dou uma vista de olhos por coisas velhas & novas a propósito da crise na Ucrânia, dou-me conta de que nunca mais ouvimos falar de Victor Yushchenko, o líder carismático da Revolução Laranja, tornado mártir beatificado em virtude da tentativa de assassinato de que havia sido alvo, com direito a cicatrizes de guerra et al.
Pois é, parece que o senhor caiu em desgraça no cenário político ucraniano. As eleições conducentes a uma sua possível reeleição resultaram num resultado eleitoral na ordem dos 5%, totalmente trágico. À altura concorreu sozinho com o seu partido, tendo falhado em granjear um acordo político mais abrangente com outros partidos da mesma linhagem política, vértice fundamental para a vitória eleitoral do passado.
http://www.kyivpost.com/content/politics/yushchenko-attributes-his-low-popularity-ratings-t-53857.html
Mais, parece que grande parte da complicação adveio do facto de lhe ter falhado a muleta fundamental da coligação, que, afinal, era -- nada mais nada menos do que -- a tão badalada líder da oposição ucraniana, Yulia Tymoshenko. Pois é, agora parece que a auto-congeminada diva de brandos costumes e aparência tornada-moderadona, que se apresenta agora sentadinha na sua cadeira-de-rodas face a uma multidão galvanizada pelo seu alegado sentido de abnegação e sacrifício patriótico, mais não é do que uma arrivista trepadora, que, como qualquer outro oligarca wannabe-empreendedor de qualquer antiga república soviética, parece ter muitos olhos, e não necessariamente muita barriga.
Ao que tudo indica, Yushchenko ficou sozinho por não escovar as costas aos desejos de outras estrelas ascendentes da sua trincheira política. Claro que a história não deve ser assim tão simples de contar.
Mais: o mau-feitio russo nem de perto nem de longe se está a manifestar apenas agora. Durante as eleições presidenciais de 2010, já a Rússia se tinha lembrado de, num ataque de bondade, se pôr a oferecer passaportes russos aos insurrectos falsos-nacionais ucranianos da República Autónoma da Crimeia, para que não lhes faltasse a oportunidade de irem dar uma volta e se maravilharem com a mãe-pátria russa. Mas mais do que isso, parece que os líderes russos têm de facto o hábito de lidar muito mal com a rejeição: um vídeo publicado pelo antigo primeiro-ministro russo deixa claro que fechar ciclos de forma apaziguada não é um hábito seu salutar, e que integre o seu compêndio cultural.
De uma forma ou de outra, vamos continuar a acompanhar a situação na Ucrânia. Que é, na atualidade, à falta de melhor palavra, simplesmente preocupante.
Tudo indica que vá haver megda na próxima segunda-feira à noite.
E ainda bem. Faz bem haver megda de vez em quando.
Comé, AAC? Esquerda ou direita?
https://www.facebook.com/events/211994975672003/?fref=ts
Amorfizar
"Aliás, a evidente ausência do movimento associativo estudantil da conflitualidade dos dias de hoje e a fácil proliferação das “jotas” nessas estruturas, tanto mais eficaz quanto diminui a participação dos estudantes em qualquer actividade que não seja lúdica"http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-abjeccao-1621031
Nestas coisas é que Coimbra é provinciana -- ou pelo menos parece.
http://www.iscac.pt/index.php?m=7_44&id=166


