Passou há poucos minutos na BBC Radio 4 um interessante documentário sobre o impacto da hegemonia da Google no mercado dos motores de busca online. É, de facto, um tema frequentemente esquecido - ninguém de facto conhece o funcionamento do seu algoritmo (trata-se, afinal de contas, de propriedade industrial), e é indubitável a camada de opacidade que tal introduz, tanto quanto o seu funcionamento, como quanto a eventuais formas de manipular a opinião pública. Estamos, afinal de contas, a falar da "nova" televisão.
Interior
Assisto a uma certa excitação a propósito do novo plano de coesão nacional, revisto e aumentado, a ser anunciado este verão. Interessante é especialmente a nota de que se cumpriu a primeira fase dum plano de restauro do interesse pelo interior - em que alegadamente foram fomentadas as necessárias infraestruturas - mas que falhou o cumprir de uma segunda etapa, em que se deveria ter colocado em prática um plano operacional que entregasse o devido dinamismo às zonas deprimidas. Contudo, a fórmula antecipada pela Prof.ª Helena Freitas parece, pelo menos numa primeira avaliação, pecar por insuficiente - não será irrealista pensar que os problemas do interior se resolvem com mudanças de "narrativa" e simples incentivos à (re)ligação das suas gentes, entretanto tornadas diáspora, aos seus berços de origem?
Pergunto: não faria sentido extendermo-nos, neste caso, um passo à frente, e audaciarmo-nos mesmo num plano de desenvolvimento que associasse, de forma clara, escolhas de desenvolvimento de determinados áreas sócio-económicas a determinadas regiões? Évora, por exemplo, tem um ótimo potencial para desenvolvimento de uma indústria aero-espacial, mas em boa verdade todos nós sabemos que tal nunca se concretizará enquanto alguns dos centros de R&D relevantes da especialidade estiverem dispersos pelas mais importantes cidades do litoral. Trata-se de uma escolha política que está ao alcance do Estado encetar.
Embora com demasiados riscos e entraves. Será demasiado planeamento para o nosso gosto? Seria importante termos acesso a informação detalhada sobre experiências anteriores neste domínio, postas em marcha noutras latitudes, para que estivesse ao alcance da sociedade civil ter um debate sério e esclarecido sobre esta matéria. Compreendo que seja criticável colocarmos o Estado na posição de decidir o que fazemos com as nossas vidas - ou neste caso, onde devemos viver. Para além do mais, é inegável que estas experiências já correram mal no passado - pense-se, a título de exemplo, no caso de Detroit, cujo desenvolvimento se centrou num único tipo de indústria, e que nada pôde fazer senão assistir ao seu próprio declínio, quando os destinos da indústria se desviaram dos da cidade. Contudo - e também fruto da reflexão que urge fazer a propósito de (nossas) experiências anteriores - parece-me que apostas de orientação generalista estejam igualmente condenadas a falhar.
Snatchin'
Ler o caso de Iolanda Menino e verificar o desespero decorrente da impotência de quem é um David contra um Golias faz-me lembrar uma daquelas batalhas cuja conclusão está traçada ainda antes de ter começado, tal é o desiquilíbrio da premissa de onde parte. Ao mesmo tempo que não há fuga possível, porque trata-se de tudo o que de mais valioso alguém tem na vida.
Talvez com alguma zombaria cândida à mistura, mas não deixa de aflorar na minha mente um certo movimento da Suite de Edvarg Grieg.
Corações ao alto.
