Alguns de nós encerram em si aquele impulso para fazer, fazer; outros para dormir, dormir. Não há entre eles uma diferença de tom que seja, em si, fraturante. Parece-me, até, que podemos dizer que se trata de várias tonalidades representando diferentes zonas de um espectro, sem que isso represente necessariamente um distanciamento qualitativo entre elas.
More to come.
A indecência do apatriotismo
Recordo com um esgar de carinho as apreciações laterais sobre a "recusa patriótica" do Professor Duarte Gomes em falar espanhol nas reuniões de coordenação do WOP-P. É este o dom dos verdadeiros mestres; o de apenas os conseguimos absorver devagarinho, devagarinho. E de, de tempos a tempos, nos darmos conta de como se formou um novo substrato com a velha matéria-prima, prontinho para digerir de tão ricas proteínas que trás -- devagarinho.
De facto, a verdade é que não nos custava nada a nós, portugueses, colocar em prática o nosso pródigo dom para o engajamento da linguística estrangeira, bem como a nossa eterna disponibilidade para facilitar a vida aos bem-aventurados estrangeiros espanhóis, de forma mais frequente. Só que também não somos burros: sabemos que no passado essa facilitação significou o seu aproveitamento no sentido da assimilação. O velho sonho da constituição da Iberia continua vivo e verdejante nalguns círculos do mundo que é para lá da arraia, e não é porque a coroa vizinha enfrenta os desafios constantes daqueles que já não sentem a pertinência de ser Espanha que o ímpeto anexista desvanece. A cada nova vaga de arrivistas que tomam de assalto as hierarquias burocráticas do estado, há o ressuscitar de um tal desejo submerso, implícito, tabú.
Preocupa-me -- ao mesmo tempo que me vejo a mim próprio tendente a exercitar a nova língua semi-estrangeira/semi-oficial -- que porventura nos tenhamos esquecido da utilidade -- e necessidade -- de ter reservas quanto à assimilação de determinado conhecimento. Nem todo ele é para servir os nossos interesses; e algum é mesmo inteligente saber descartar.
