Acho que vou ficando muito bem impressionado com o que se vai passando pelo Egipto. E pelo menos uma coisa acaba por aflorar: o mundo árabe não sabe mesmo qual é o seu lugar no mundo. Grosso modo, não sabe contra quem há-de revoltar-se: se contra os líderes tiranos que se foram colando ao poder à falta de melhor; se contra Israel -- o seu ódio de estimação; se contra si próprio. Parece ser um estado semelhante àqueles momentos de inquietude inexplicável; um formigueiro nas pernas que tem de ser escoado de qualquer forma. Aquilo que ironicamente se vai passando na praça "da Libertação" (Tahir) vai sendo um reflexo da descoordenação existencial de uma alma colectiva. Os jasmins foram o início do regresso ao passado: sim, porque fundamentalismos islâmicos são apenas uma desculpa para o facto de o nacionalismo árabe materializado a seu tempo ter sido um penso-rápido em cima de uma fractura exposta.
