Não deixa de ser interessante a roda viva a que o comentário político nacional se vota na procura de nutrir a atualidade política de um substrato de interesse. E ainda mais interessante é ver um jornal de direita - embora não conservadora - a tentar criar contraditório e ilusão de pluralismo por entre as suas fileiras de comentadores.
Escusado será dizer que o Observador é, em tudo o que das suas produções atona, a essência de uma manifestação empreendedora: é sobejamente conhecido o cheiro fétido das públicações mais à direita do Diário de Notícias (a começar no Correio da Manhã e a acabar n'O Diabo), e não era por demais difícil verificar que a informação orientada para um eixo conservador (semi-)culto era, afinal de contas, um nincho ainda por explorar. Resta-nos adivinhar: não fosse João Miguel Tavares o wannabe que se deixa levar pelo brilho das luzes - que é como quem diz: ceder à tentação de publicar num jornal como o Público - , talvez até cumprisse a justiça de se juntar à plateia quasi-pretensiosa de colunistas do Observador.
