A eleição moral

. domingo, abril 23, 2017

É particularmente refrescante verificar que há países na Europa em que os jornais ainda têm coragem de, abertamente, cumprir uma função pedagógica para com os seus leitores. Em Portugal, há muito que se perdeu esse condão, em virtude do ganhar terreno de uma certa - e pretensa - vaga de isenção jornalística. Certo que há toda uma corrente de opinião que se degladia no espaço online pela tentativa de captar o máximo de ódio possível emanante do vox populi, mas esse segmento mais não é do que a manifestação de um capricho de uma certa franja da sociedade que gosta de alimentar a sua ilusão de influência. Há que saber reduzir-mo-nos à nossa insignificância.

Regressando às eleições em França, não deixa de ser um pouco dececionante verificar que a tónica da discussão política em França ainda é tão pouco cosmopolita. Vemos apenas exemplos de discussão política clássica, com os mesmos chavões e truques de ilusionismo de sempre. Não vemos nenhum político sério a deixar escapar um "fixe", como já se fez em Portugal. Não há imagem mais gasta do que a de um político a olhar a câmara olhos-nos-olhos.

PS: Até me arrepio todo a pensar no que deve doer levar com o cacetete numa zona daquelas.