Alentejo Perdido?

. quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Henrique Raposo é provavelmente um dos colunistas mais inúteis que o jornal Expresso tem. Não digo inútil porque as suas opiniões não contenham substância; apenas porque rara é a vez em que haja algo de remotamente consequente a absorver dos seus dizeres. Ler uma qualquer das anunciações de Henrique Raposo no Expresso é como ir à missa, ver a luz ao fundo do túnel, e no fim apercebermo-nos que afinal era uma lâmpada de LEDs fabricada no Cambodja. Por trás de um discurso que roça a frescura de nos mostrar que ainda há esperança para o moralismo no século XXI, percebemos passadas não muitas tentativas frustradas de sustentação de dissonância cognitiva que se trata apenas de alguém que ainda não digeriu bem o facto de o sangue azul da aristocracia apenas ter essa cor devido às inúmeras gerações de criaturas fétidas que foi albergando no seu seio, fruto da insistência na consanguinidade. Os seus pergaminhos são frequentemente como um nado morto - e é sempre mais aconselhado manter o defunto afastado do nossa cosmologia privada. A vantagem de ler Henrique Raposo é que ao menos o prejuízo na conta da luz normalmente também não amontoa à exorbitância - raramente se corre o risco de os danos virem a ser permanentes. Mas o que me leva a referi-lo é outra coisa: há mouro na costa. Quero dizer: há livro publicado. E no meio de neblina q.b., se calhar a minha mão mostrou-se demasiado pesada. De facto, é capaz de haver alguma utilidade nestes dizeres.

"Goodfellas"