No meio de tanto lodo de pré-campanha (!) eleitoral, ontem os noticiários trouxeram-nos uma importante notícia. O setor leiteiro português atravessa aquela que provavelmente é a sua derradeira crise: face às quebras na procura, os produtores estão agora a vender abaixo do custo de produção - ou seja, o setor está no seu leito de morte. Os produtores deste que em tempos foi um produto que cumpriu um papel fundamental - senão o mais fundamental - em tirar o nosso país da subnutrição e dar uma oportunidade única de mobilidade social a várias gerações ao permitir-lhes ter aproveitamento escolar, tiveram o azar de estar no negócio de um produto que está agora obsoleto. É já sobejamente conhecido que o leite (de vaca) não é particularmente aconselhado à dieta dos adultos. A situação agravou-se particularmente no último ano, entre outras razões devido ao embargo à Rússia e à liberalização do mercado europeu, num setor que emprega milhares de portugueses. É claro que em vez de o Estado tomar a dianteira e liderar uma conversão do setor que evite que milhares de portugueses caiam na miséria, o melhor é não interferir: o mercado há-de auto-regular-se. Não não, melhor ainda - o problema resolve-se com a negociação de uma linha de crédito no IIB, para que a banca tome posse do setor e o aliene a preço de saldo, como a troika fez com o país. Fodasse, pá.
