O caso José Sócrates, é, no fundo, não mais do que um jogo de perceções. No espaço público, fazem-se o tipo de leituras que se fazem sempre que se fala de pessoas com um caráter público. No fundo, aquilo que fica invariavelmente evidente é que ninguém vai muito além da opinião que construiu desde sempre sobre determinada pessoa. Veja-se o caso de Marcelo Rebelo de Sousa. Personalidade com uma ampla formação em direito, Marcelo é professor na FDUL, e logo fluente no jogo de significações e ambiguidades implicados nos processos judiciais. Mesmo assim, na hora da verdade julgou Marcelo o caso ser todo à volta daquilo que José Sócrates "é".
Toda a gente está concentradíssima em tentar saber se Sócrates é culpado ou não. No fundo, o que querem é saber, com a margem de certeza que a adjudicação formal da justiça permite, se a ideia que fazem dele encontra razões para ser defensável ou não.
Quem viu e quem vê Judite de Sousa... Vai uma pessoa lembrar-se do jornalismo que fazia na RTP1, e compará-lo com o que faz agora. De facto, torna-se inegável admitir que em muitos sentidos o dinheiro força realmente a mão das pessoas. Ou não.
