. quinta-feira, março 20, 2014

And Las Fallas are no more.


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Crimeia, ou a parábola em que quem grita mais alto dita o que é a razão.

From Russia With Love

. segunda-feira, março 03, 2014

Enquanto dou uma vista de olhos por coisas velhas & novas a propósito da crise na Ucrânia, dou-me conta de que nunca mais ouvimos falar de Victor Yushchenko, o líder carismático da Revolução Laranja, tornado mártir beatificado em virtude da tentativa de assassinato de que havia sido alvo, com direito a cicatrizes de guerra et al.

Pois é, parece que o senhor caiu em desgraça no cenário político ucraniano. As eleições conducentes a uma sua possível reeleição resultaram num resultado eleitoral na ordem dos 5%, totalmente trágico. À altura concorreu sozinho com o seu partido, tendo falhado em granjear um acordo político mais abrangente com outros partidos da mesma linhagem política, vértice fundamental para a vitória eleitoral do passado.

http://www.kyivpost.com/content/politics/yushchenko-attributes-his-low-popularity-ratings-t-53857.html

Mais, parece que grande parte da complicação adveio do facto de lhe ter falhado a muleta fundamental da coligação, que, afinal, era -- nada mais nada menos do que -- a tão badalada líder da oposição ucraniana, Yulia Tymoshenko. Pois é, agora parece que a auto-congeminada diva de brandos costumes e aparência tornada-moderadona, que se apresenta agora sentadinha na sua cadeira-de-rodas face a uma multidão galvanizada pelo seu alegado sentido de abnegação e sacrifício patriótico, mais não é do que uma arrivista trepadora, que, como qualquer outro oligarca wannabe-empreendedor de qualquer antiga república soviética, parece ter muitos olhos, e não necessariamente muita barriga.

Ao que tudo indica, Yushchenko ficou sozinho por não escovar as costas aos desejos de outras estrelas ascendentes da sua trincheira política. Claro que a história não deve ser assim tão simples de contar.

Mais: o mau-feitio russo nem de perto nem de longe se está a manifestar apenas agora. Durante as eleições presidenciais de 2010, já a Rússia se tinha lembrado de, num ataque de bondade, se pôr a oferecer passaportes russos aos insurrectos falsos-nacionais ucranianos da República Autónoma da Crimeia, para que não lhes faltasse a oportunidade de irem dar uma volta e se maravilharem com a mãe-pátria russa. Mas mais do que isso, parece que os líderes russos têm de facto o hábito de lidar muito mal com a rejeição: um vídeo publicado pelo antigo primeiro-ministro russo deixa claro que fechar ciclos de forma apaziguada não é um hábito seu salutar, e que integre o seu compêndio cultural.

De uma forma ou de outra, vamos continuar a acompanhar a situação na Ucrânia. Que é, na atualidade, à falta de melhor palavra, simplesmente preocupante.